segunda-feira, 15 de abril de 2013

O RESTO É INVENÇÃO!


O resto é invenção" foi livremente inspirado nos poemas de Manoel de Barros, por meio da criação coletiva, buscamos com este espetáculo experimentar possibilidades cênicas a partir do universo das “pequenezas” proposto por Manoel de Barros em sua obra, da mesma forma desenvolver este universo experimentando-o no espaço aberto. Neste sentido, o trabalho se configura a partir de alguns poemas de Manoel de Barros costurados pela poética cênica do teatro de rua e da intervenção urbana. O espetáculo tem como objetivo não somente recitar esses poemas, mas também trabalhar com os objetos e paisagens propostos pelo autor, numa perspectiva lúdica, intervindo no espaço através da palavra, da imagem, da ação, do som entre outros aspectos sinestésicos. Em suma,  intervir poeticamente no espaço e no público presente.
 




Borboletas me convidaram a elas.
O privilégio insetal de ser uma borboleta me atraiu.
Por certo eu iria ter uma visão diferente dos homens
e das coisas.
Eu imaginava que o mundo visto de uma borboleta -
Seria, com certeza, um mundo livre aos poemas.
Daquele ponto de vista:
Vi que as árvores são mais competentes em auroras
do que os homens.
Vi que as tardes são mais aproveitadas pelas garças
do que pelos homens.
Vi que as águas têm mais qualidades para a paz do
que os homens.
Vi que as andorinhas sabem mais das chuvas do que
os cientistas.
Poderia narrar muitas coisas ainda que pude ver do
ponto de vista de uma borboleta.
Ali até o meu fascínio era azul.
(Borboletas - Manoel de Barros)




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